Só traçar e fazer arte.
Desenhar e pintar sem segunda chance.
Pintar o prazer,
Pintar a dor.
Instantes de felicidade,
Em um quadro sem preparo,
Sem o esboço.
Uma chance apenas de acertar.
Não há a sorte da redenção.
Ah, como bem sei pintar a sorte.
Vê-la como algo que encanta até imortais.
Sufocante para quem há de morrer.
Pintar, é sempre um luto.
Seja pra lidar, seja pra fugir.
O fim que nos permite criar.
Sei criar o prazer,
Criar o amor.
Mas só há beleza no inédito,
Não basta pincelar por cima.
Sou bom em desenhar a solidão,
Fácil de desenhar,
Difícil de enxergar.
Essa só se revela em comparação,
Um hábito péssimo.
Pintar a morte e a vida.
Concomitantemente.
Uma vez só.
Até que o amor fique sem objeto
Até que o pincel não tenha quadros
Até que a vida não encontre mais nada.
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