Behind The Magic...
Vamos brincar de compreender o incompreensível?
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10 de mar. de 2026
Sobre redes sociais.
De princípio, vale apontar qual foi a primeira motivação para desativar as redes sociais. Na verdade foram duas. A primeira tem a ver com perder muito tempo rolando feed, e isso já estava me incomodando há algum tempo. Foi em setembro de 2018 que o feed do Instagram virou uma espécie de feed voltado para o Setembro Amarelo. Na época, eu estudava o suicídio como objeto da ciência social. Ficar diante daquilo foi perturbador. Era uma clara tentativa de fazer do suicídio algo individual, como se fosse culpa do indivíduo, e todas as postagens reproduziam isso.
Eu me vi pensando: nossa, eu já tenho compreensão suficiente para entender que não vai ser uma mensagem positiva que vai salvar alguém. Não do jeito que está sendo feito, de forma mercantil. Enfim, surtei e decidi desativar meu Instagram por um mês. Já vão fazer quase oito anos desde que deletei o Instagram. Um por um, fui deletando tudo: Instagram, Facebook, Twitter, Tinder, tudo. Eu mantenho apenas uma rede para conversar com alguns amigos, e só.
Um tempo atrás surgiu uma nova rede social. Me interessei e abri o BlueSky. Depois de um tempo usando, quase sem nenhum amigo ali, percebi que há vários problemas para mim numa rede social.
O primeiro é a exposição. É uma exposição que te coloca no papel de bobo da corte, onde, se você quer certa atenção, precisa trabalhar para isso. Você pode usar seu corpo, sua empresa, seu relacionamento, suas ideias, expor alguma coisa ali, vitrinificar. Tornar aquilo que você vive um produto para chamar a atenção de alguém. E a minha pergunta é: pra quê?
Eu ouvi uma coisa uma vez, que depois se repetiu em vozes diferentes: quando você usa alguma coisa de graça, é porque o produto é você. Conforme o tempo passa, tenho sentido isso com mais força em relação às redes sociais. É uma espécie muito sofisticada de aparelho coercitivo.
É como aquele comercial antigo de brinquedo infantil em que as crianças faziam uma propaganda muito apelativa: “eu tenho, você não tem”. Parece isso quando você fotografa a sua comida para mostrar, em vez de comê-la. Às vezes nem estava tão bom, mas estava tão bonito que se vende mais a imagem do que o próprio viver.
Enfim, essa é a primeira coisa: tornar-se um produto em exposição.
Existe uma segunda tentativa, que é a de retirar o espírito da coisa. Parece bobo quando a coisa vai para o metafísico, mas gostaria que acompanhassem o raciocínio: existe uma diferença entre fazer uma coisa porque você quer fazer e viver aquilo, e fazer uma coisa para gerar um conteúdo com aquilo. Um conteúdo, uma evidência, uma mídia.
É perturbador ver pessoas indo a shows para filmar com o celular um show que já está sendo filmado de forma profissional. Ou pessoas que entram em relacionamentos para tirar fotos de um relacionamento feliz. Ou pessoas que vão viajar e querem demarcar os lugares em que foram, mesmo que a viagem tenha sido um lixo, ou que tenha sido legal também. Não me faz muito sentido.
Conversando com algumas pessoas, boa parte delas já entende a rede social dessa forma, nessa problemática. E parece estar bem com isso. No final das contas, me parece um problema muito individual. Talvez seja eu mesmo que tenha algum problema com rede social.
Será que é isso mesmo? Ou será que as pessoas já estão anestesiadas para esse tipo de coisa?
Porque vai um tempo rolando feed de rede social. Vai um tempo para planejar o que você vai postar ali. Vai um tempo para se tornar um produto.
A pergunta ressoa, e não deveria ressoar apenas para mim: será que vale mesmo todo esse tempo?
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Heidegger
Nada é mais belo que a necessidade,
E podes pensar que falo da fome,
Mas não entendes nada.
A beleza dela não pode ser vista,
Tentamos força-la a estar aqui,
Isso é necessário, aquilo outro...
Ela não está entre nós.
Nós mesmos não somos necessários,
Somos uma opção,
Uma porção de sua inexistência.
Juramos que a morte é necessária...
Nem isso!
A necessidade é sublime,
É nela que vós tentais agarrar,
Sem sucesso, pois a busca é o tormento.
Falamos tanto dela,
Blasfemando.
O nada.
Como pode esse ser o o artigo?
Definido uma ova.
Não me diga que não tinha notado.
Sem exceção, todos fingem ter raizes fortes,
Fingem importância,
Mas a imanência da contingência nos surta.
E ela não pode ser ignorada.
Você não entende o nada.
A necessidade é sublime,
É a busca, o tormento, a crise.
Tudo sem solução,
Pois os sentidos só acessam contingência.